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Serra de São José

A primeira e única reserva para libélulas no Brasil tem sua lista de espécies publicada

Acaba de ser publicado o trabalho liderado pelo biólogo Lúcio Bedê, Coordenador de Projetos do Instituto Terra Brasilis, realizado em parceria com o Professor Angelo Machado, da UFMG, e os biólogos Werner Piper e Marcos de Souza sobre a lista de espécies de libélulas da Serra de São José, MG.

O trabalho, publicado na Revista especializada Notulae odonatologicae, traz os resultados de levantamentos da fauna de libélulas feito por esses profissionais na região, que abrange partes dos municípios de Tiradentes, São João Del Rei, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves e Prados.

Foi a partir dos resultados de um levantamento da fauna de libélulas, feito por esses profissionais na Serra de São José e entorno – municípios de Tiradentes, São João Del Rei, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves e Prados – que o Instituto Estadual de Florestas (IEF-MG) decidiu criar na região, em 2004, o ‘Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José’. Desde então, esforços complementares de levantamento de espécies de libélulas foram realizados na região, alcançando a marca de 128 espécies.

O Instituto Terra Brasilis participou ativamente da proposta de criação dessa unidade de conservação, que tem como principais objetivos a proteção dos importantes mananciais hídricos da Serra de São José e sua biodiversidade.

A Serra de São José está entre as áreas mais ricas em libélulas já inventariadas no Brasil e no mundo, apesar de seu tamanho relativamente pequeno: 3.720 hectares. O motivo dessa elevada riqueza, acreditam os autores do trabalho, é a variedade de habitats úmidos que a Serra abriga.

Localizada em uma área de contato entre o Cerrado e a Mata Atlântica, e com a presença de formações de campos rupestres em áreas que alcançam mais de 1.400 m de altitude, o Refúgio abriga uma grande variedade de ambientes úmidos – como brejos, córregos, rios, lagoas marginais e açudes, em diferentes contextos ambientais. Em uma das áreas de mata mais conservadas da Serra, onde fica a nascente do chafariz da cidade de Tiradentes, os pesquisadores descobriram ainda uma espécie de libélula nova para a ciência, que, em homenagem à cidade, recebeu o nome de Heteragrion tiradentense.

O Refúgio de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José foi a primeira unidade de conservação criada para a proteção de libélulas no Brasil. Refúgios como esse são populares no Japão, onde as libélulas tem um importante significado cultural, mas são ainda raros em todo o mundo – na Europa há refúgios para libélulas criados na Escócia, Holanda e Finlândia.

Além de participar da criação do Refúgio, o Instituto Terra Brasilis também trabalhou na criação e implantação de dois centros de visitação permanente: a Casa das Águas, em Tiradentes (Águas Santas), onde é apresentada a geodiversidade da Serra de São José, sua formação, testemunhos de sua história geológica e seus recursos minerais – comopor exemplo a sua fonte de água mineral, e a Casa da Serra, em Prados (Pinheiro Chagas), que tem como grande destaque a fauna de libélulas, além dos temas relacionados ao meio físico, a biodiversidade e aos biomas ali representados. As mostras exploraram aspectos gerais da paisagem natural do refúgio e enfatizam a relação das libélulas com os seus habitats: as libélulas são consideradas importantes indicadoras da saúde dos ecossistemas aquáticos, como córregos, rios, lagoas e açudes.

Foto de capa: Libélula – Marcos Magalhães

Referência:

Bedê, L.C.; Machado, A.B.M.; Piper, W. & de Souza, M.M. 2015. Odonata of the Serra de São José – Brazil’s first Wildlife Reserve aimed at the conservation of dragonflies
Notulae odonatologicae 8(5): 117-127.