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Faveiro-de-wilson

Árvore mineira ameaçada de extinção ganha instrumento para conservação

Acaba de ser lançado o Plano de Ação Nacional (PAN) do faveiro-de-wilson (Dimorphandra wilsonii), árvore que se encontra criticamente em perigo de extinção. O trabalho, liderado pelo Jardim Botânico da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte (FZB-BH), tem a parceria do Instituto Terra Brasilis, que participa primeiro como colaborador nas etapas de planejamento e hoje como assessor na implementação do PAN.

O Faveiro é uma árvore relativamente grande, atingindo até 17 m de altura e 1,12 m de diâmetro e apresenta floração abundante. Seus frutos contribuem para a alimentação do gado durante a estação seca, período em que o pasto é menos propício ao forrageio. Além disso, os frutos apresentam elevados teores de uma substância chamada rutina, muito utilizada na indústria farmacêutica. Devido à reduzida população, no entanto, a espécie nunca foi explorada comercialmente. Já o extrativismo dos os frutos de uma espécie irmã, Dimorphandra mollis, constituem uma importante fonte de renda para populações tradicionais do norte de Minas e nordeste do país.

Endêmica de Minas Gerais e associada a áreas originalmente cobertas pelo Cerrado e pela Floresta Estacional Semidecidual, a ocorrência da espécie está atualmente restrita a pouco mais de 270 km2 da região central do estado, num polígono delimitado pelos municípios de Paraopeba (norte), Juatuba (sul), Lagoa Santa (leste) e Nova Serrana (oeste). Nessa área, sob forte impacto da expansão urbana, da pecuária e das queimadas, restam pouco mais de 300 indivíduos do faveiro-de-wilson na natureza, juntando-se jovens e adultos - nenhum deles ocorre em unidades de conservação de proteção integral.

“O PAN do faveiro-de-wilson consolida um heroico esforço de pesquisa e conservação ao longo da última década, trazendo uma síntese dos conhecimentos disponíveis sobre a espécie, um apanhado das ameaças sobre ela incidentes e um elenco de ações necessárias para a sua conservação, além da indicação de ações de pesquisa necessárias para suprir lacunas de conhecimento sobre a espécie e seu hábitat”, explica Lúcio Bedê, biólogo do Instituto Terra Brasilis.

O documento foi elaborado em conjunto pelo Centro Nacional de Conservação da Flora – CNCFlora / Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro – JBRJ e pelo Jardim Botânico da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte – FZB-BH, com a colaboração de várias outras entidades, como a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, a Universidade Federal de Viçosa – UFV / Campus Florestal, a Universidade Federal de Goiás – UFG, o Instituto Estadual de Florestas de Minas Gerais – IEF-MG, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais – SEMAD, a Polícia Militar Ambiental de Minas Gerais – PMMG, o Instituto Terra Brasilis, o Instituto Prístino, a Associação dos Amigos da Serra do Elefante – AASE , a Sociedade dos Amigos da Fundação Zoo-Botânica de Belo Horizonte, a União Internacional para a Conservação da Natureza – UICN e apoio do Tropical Forest Conservation Act / Fundo Brasileiro para a Biodiversidade – TFCA/Funbio, do Instituto V5 e do Programa Nacional de Ações Integradas Público-Privadas para Biodiversidade – Probio II.

Para ter acesso ao Plano de Ação Nacional do faveiro-de-wilson entre no site: http://cncflora.jbrj.gov.br/portal/pt-br/livros

Foto: Fernando Fernandes