Evolução do uso e cobertura do solo e fragmentação da paisagem na serra do Gandarela (MG): análise a partir de métricas de paisagem

Português
Pesquisa
2012
O acesso a essa publicação foi autorizado pela Biblioteca Digital da UFMG, detentora do site http://www.bibliotecadigital.ufmg.br

Descrição

Este trabalho dedica-se a analisar as transformações recentes do uso e cobertura do solo e da configuração da paisagem da Serra do Gandarela, resultante das atividades antrópicas desenvolvidas na região, com objetivo de identificar e descrever os agentes que motivaram estas transformações e a fragmentação da sua paisagem. A Serra do Gandarela configura-se como um espaço de conflito de interesses, que agrega empenhos econômicos das indústrias mineradora e siderúrgica - expressados pelas culturas industriais de eucalipto e pelas minas existentes na região, como Brucutu e Gongo Soco - além de empenhos ambientais, já que abriga áreas indicadas como prioritárias à preservação da biodiversidade. Os diferentes usos reconhecidos na área, decorrentes da intensificação das atividades econômicas ali desenvolvidas, aliados à ausência de mecanismos eficientes de proteção ambiental, tem resultado em paulatina fragmentação da região da Serra do Gandarela, configurando-se em ameaça aos remanescentes florestais e campestres e, consequentemente, à biodiversidade e disponibilidade hídrica. Através de imagens de sensores remotos, bases cartográficas digitais, bases de dados secundárias, aplicação de métricas de paisagem, softwares e material decampo, é realizada a análise da evolução do uso do solo e da fragmentação da paisagem para quatro períodos (1987, 1994, 2003 e 2010). As motivações sociais e econômicas responsáveis pelas alterações observadas também são consideradas, levantadas através de revisão bibliográfica e de visitas técnicas à área de estudo, que permitiram a identificação de oito padrões de mosaicos paisagísticos distribuídos entre dezessete unidades de paisagem. O estudo foi capaz de demonstrar uma séria tendência à degradação dos ambientes naturais da Serra do Gandarela, seja pelas práticas agropastoris, pelo avanço da silvicultura, pela intensificação da urbanização, ou pelo crescente interesse da mineração na área. As concessões de lavra mapeadas na região revelam a intenção de exploração mineral em áreas campestres preservadas em curto prazo, bem como as práticas de cultivo e silvicultura, que avançam sobre os remanescentes florestais devem ser observadas de perto, pois estão menos sujeitas a regulamentação do Estado e também representam um risco à biodiversidade e à qualidade dos solos da região. Cabe aos órgãos ambientais brasileiros e à sociedade avaliar se os interesses econômicos destas atividades devem se sobrepor aos interesses ambientais, de conservação da biodiversidade ali existente. O ritmo de crescimento observado destas atividades na região não deve servir de incentivo à sua expansão, mas sim como incentivo à reflexão da validade deste tipo de exploração que, apesar do retorno financeiro aos municípios e ao Estado Brasileiro, significam um legado de degradação e destruição de uma das paisagens mais belas do país.

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