Manejo de paisagem em grande escala: estudo de caso no Corredor Ecológico da Mantiqueira, MG.

Português
Pesquisa
2008
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Descrição

A erosão da biodiversidade e a acelerada fragmentação dos ecossistemas levaram a constatação de que a conservação da biodiversidade não poderia ficar restrita às unidades de conservação, muitas vezes constituídas por pequenas ilhas de vegetação natural. Para encontrar soluções para os impactos negativos decorrentes da fragmentação e insularização, os pesquisadores da ecologia aplicada desenvolveram um arcabouço conceitual que considera também os ambientes modificados vizinhos aos fragmentos de vegetação original. A Biologia da Conservação e a Ecologia da Paisagem demonstraram que o tipo e a qualidade da matriz onde os fragmentos estão localizados irão influenciar na sustentabilidade para as diferentes espécies que vivem nos fragmentos e na própria matriz. Baseado nesse arcabouço conceitual foi desenvolvido o modelo de planejamento bioregional Corredor Ecológico. O modelo visa proporcionar o fluxo de indivíduos e o intercâmbio genético entre os fragmentos por meio da ampliação da conectividade entre os fragmentos, num mosaico de uso de terras protegidas e modificadas. No Brasil a sua introdução é relativamente recente e só começou a ser amplamente divulgado durante a elaboração do Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7 / Ministério do Meio Ambiente). A grande expectativa gerada no país em torno dos corredores ecológicos justifica a realização de estudos científicos que visem analisar os métodos mais adequados para o seu planejamento, visando a efetividade em termos de conservação da diversidade biológica. Amparado nos preceitos da Biologia da Conservação e da Ecologia da Paisagem, o presente estudo analisou a situação dos fragmentos de Mata Atlântica no sul do estado de Minas Gerais e propôs estratégias de manejo da paisagem para consolidação de um corredor ecológico na região, onde estão localizados 20% dos remanescentes de Mata Atlântica do Estado. De maneira similar ao restante do país, a situação da Mata Atlântica mineira é crítica, restando menos de 15% de sua cobertura original (Fundação SOS Mata Atlântica / INPE, 2002). Esse quadro ilustra a necessidade de traçar estratégias tecnicamente consistentes para se tentar conservar o pouco que restou e ampliar a chances de sobrevivência de uma parcela significativa da biodiversidade do Estado. A análise da estrutura da paisagem, da qualidade e conformação dos fragmentos de Mata Atlântica, das principais ameaças e de indicadores biológicos, realizada pelo presente estudo, irá subsidiar o estabelecimento de um modelo de planejamento biorregional, identificando as áreas prioritárias para recuperação, formação de micro-corredores e criação de unidades de conservação.

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