Ecoturismo em áreas protegidas: análise da trajetória da gestão participativa como estratégia de conservação

Português
Revista Nordestina de Ecoturismo
2009
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Descrição

Revista Nordestina de Ecoturismo, v. 2, n. 1 (2009)

Resumo

O presente estudo teve por objetivo desvelar a trajetória da gestão participativa no processo de conservação de recursos naturais, tomando-se como base conceitual o surgimento da noção de inclusão de atores locais para atingir-se os princípios gerais de preservação de espécies e ecossistemas em nosso planeta. A partir da construção introdutória do referido quadro teórico, demonstra-se que o surgimento do ecoturismo mundial nos anos 1980 inicia-se em meio à dinâmica de inclusão de comunidades e populações locais na orientação de estratégias de conservação da natureza, culminando para esta análise no ecoturismo praticado em áreas naturais protegidas. Para isso, e atendendo uma análise geral constituída em referencial teórico, são citadas organizações internacionais de grande porte como IUCN (International Union Conservation Nature) e UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization), cujas atuações políticas e institucionais desenvolvidas nesse sentido ¬– sobretudo a partir da década de 1970 ¬– foram determinantes para a instauração de um programa organizacional único de proteção aos Patrimônios Naturais no mundo e de seus ecossistemas. Em seguida, a elaboração sistemática de prerrogativas de conservação respaldadas nestes organismos orienta-nos paulatinamente a uma gestão participativa ou comunitária da biodiversidade, revelando-nos pertinentemente a importância dessa dinâmica adotada como estratégia mundial de conservação, e o posterior surgimento do ecoturismo em áreas naturais protegidas. Dessa forma, em sua construção metodológica, este trabalho comporta duas partes e uma conclusão. Na primeira seção abordam-se os principais quadros teóricos com referência à conservação dos recursos naturais, sendo introduzido o pressuposto evolutivo de uma gestão participativa; na segunda seção, desenvolve-se a estrutura teórica do ecoturismo em nível mundial, desde os seus primórdios à preemência de um turismo sob a ótica da participação, cujos atores sociais envolvidos passam a gerir a conservação. Conclui-se com este estudo que o ecoturismo em áreas protegidas não teria surgido sem as diretrizes de organismos como IUCN e UNESCO. Do mesmo modo entende-se que as dificuldades em alcançar objetivos de conservação são maiores à medida em que se diminuem as chances de incluir comunidades em sua gestão.

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