O Pato-mergulhão
Entre as aves mais ameaçadas de extinção no Brasil e no mundo destaca-se o Mergus octosetaceus, mais conhecido como pato-mergulhão.
O pato-mergulhão tem algumas características marcantes que permitem identificá-lo: um penacho atrás da cabeça, um bico longo, fino e serrilhado e os pés vermelhos. Os pequenos filhotes são bem diferentes dos adultos: são pretos com manchas brancas. É uma espécie rara de ave aquática que ocorre naturalmente em baixas densidades.
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Distribuição
Sua área de distribuição abrangia o centro-sul do Brasil e partes do Paraguai e Argentina. No Brasil, nas últimas décadas, tem sido registrado em apenas algumas localidades nos estados de Minas Gerais, Goiás e Tocantins (Parque Nacional da Serra da Canastra e arredores, Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e Parque Estadual do Jalapão, respectivamente). Alguns poucos indivíduos foram observados isoladamente nos últimos anos no Paraguai (registrado pela última vez em 1984) e também na Argentina (apenas um indivíduo foi localizado em mais de 300 km de rios pesquisados, mas acredita-se que pode haver uma população maior).
Onde vive
A espécie habita rios e riachos com corredeiras, entremeados por poços e remansos, limpos e margeados por florestas ou vegetação nativa, e com abundância de peixes. Na Serra da Canastra encontra-se a maior população conhecida de patos-mergulhões. Extremamente sensível à degradação e perda de seu habitat, é um bom indicador da qualidade dos ambientes aquáticos.
Comportamento
O casal permanece junto o tempo todo. O pato-mergulhão gosta de descansar sobre as pedras no meio do rio ou em suas margens e, quando é perturbado, voa rapidamente rente à superfície da água ou se esconde na vegetação ribeirinha. Além de raro, é muito arisco e, por isso, é tão difícil de ser visto.
Ele mergulha para conseguir seu alimento – peixes, principalmente o lambari, e invertebrados aquáticos. Os mergulhos podem durar até 30 segundos.
Reprodução
Na Serra da Canastra, a época reprodutiva dos patos-mergulhões estende-se por, no mínimo, seis meses, variando de maio a outubro, sendo junho e julho os meses mais comuns para a incubação.
Ocos em árvores e fendas em paredões nas margens dos rios são usados para a construção de ninhos. Durante a incubação, de até oito ovos, a fêmea permanece no ninho, saindo apenas pra alimentar-se, e o macho passa a maior parte do tempo nas proximidades. Os filhotes ficam juntos dos pais por cerca de seis meses.
Espécie ameaçada
O pato-mergulhão é considerado criticamente ameaçado de extinção em nível global. A população atual da espécie está reduzida a menos de 250 indivíduos na natureza, segundo o BirdLife International (2008) (segundo o perfil da espécie acessado em BirdLife, 12/2/2009). No momento não existe população em cativeiro desta espécie.
Ameaças
O pato-mergulhão é muito sensível à alteração de seu habitat. Dentre as maiores ameaças à espécie estão:
• a destruição de matas ciliares e a consequente degradação das margens e dos leitos dos cursos d’água;
• o uso de pesticidas nas pastagens e lavouras que são carregados por drenagem para os cursos d’água;
• a mineração, que impacta diretamente os cursos d’água e, consequentemente, sua fauna associada;
• a construção de barragens que alteram os ambientes lóticos;
• as atividades esportivas realizadas em cachoeiras e corredeiras, que perturbam o ambiente do pato-mergulhão.

